A análise da Fortinet revela a existência de um vasto e complexo ecossistema de ameaças desenhado para explorar o entusiasmo em torno do torneio. Os cibercriminosos têm como alvo não apenas os adeptos, mas também colaboradores, patrocinadores e organizações associadas. As táticas são variadas e incluem o uso de sites de phishing, lojas falsas de merchandising, aplicações móveis (APKs) não oficiais para streaming e apostas, falsos airdrops de criptomoedas e esquemas de revenda promovidos em plataformas como o Telegram.
A venda de bilhetes falsos destaca-se, sem surpresa, como uma das principais e mais perigosas ameaças. Aproveitando a elevada procura e o natural sentido de urgência dos adeptos, os atacantes criam páginas fraudulentas que replicam na perfeição os canais oficiais da FIFA. O objetivo primordial destas campanhas é o roubo de dados pessoais, informações bancárias e credenciais de acesso, havendo casos mais sofisticados que incluem falsos pacotes de viagens com voos e alojamento fantasma para aumentar a credibilidade do golpe.
No campo das redes sociais, a desinformação e o roubo de identidade atingem proporções alarmantes. A investigação da FortiGuard Labs identificou mais de 1.700 contas e canais suspeitos de se fazerem passar pela FIFA ou por entidades parceiras. Curiosamente, quase 90% desta atividade fraudulenta concentra-se no Facebook e no Instagram, onde estas contas operam livremente para disseminar hiperligações perigosas, campanhas de phishing e falsas ofertas de emprego.
O risco oculto do roubo de dados massivo é, talvez, a consequência mais grave já detetada. O relatório aponta para uma exposição significativa de informação sensível em registos de infostealers (malware especializado em roubo de dados). Foram encontradas mais de 4.600 URLs associadas à FIFA comprometidas, o que resultou na exposição de mais de 270.000 credenciais de adeptos e utilizadores comuns, bem como de mais de 260 credenciais pertencentes a colaboradores da própria organização do torneio.
Perante este cenário antecipado de fraude, a principal conclusão é clara: os cibercriminosos não esperam pelo início do evento para lucrar. A Fortinet recomenda vivamente que as compras de bilhetes sejam feitas exclusivamente através dos canais oficiais, que se evite o download de aplicações de fontes não verificadas e que se mantenha um elevado nível de ceticismo perante pedidos urgentes de pagamento ou ofertas irresistíveis ligadas ao Mundial.
