O estudo destaca que esta instabilidade não está ligada a falta de lealdade, mas à ambição e à ausência de percursos claros de progressão. A escassez de funções de entrada é uma das razões mais fortes, com os anúncios de vagas júnior a caírem 29% desde janeiro de 2024, sobretudo nos setores da tecnologia, logística e finanças.
O salário continua a ser o principal fator de mudança de emprego, seguido da progressão de carreira. Atualmente, 52% dos Gen Z estão ativamente à procura de novas oportunidades e apenas 11% planeiam permanecer a longo prazo nas suas funções. Muitos combinam a confiança digital com insegurança profissional: 79% acreditam aprender rapidamente, mas 41% não se sentem confiantes para encontrar outro emprego, e 44% reconhecem que a posição atual não corresponde ao "emprego de sonho".
Outro traço marcante é o crescimento das atividades paralelas. Apenas 45% têm um emprego a tempo inteiro, contrastando com gerações anteriores, já que muitos acumulam funções por necessidade ou em busca de propósito e flexibilidade.
A relação com a Inteligência Artificial é simultaneamente de entusiasmo e receio. Mais de metade já utiliza IA no trabalho e na procura de emprego, e 75% recorrem a estas ferramentas para aprender novas competências. No entanto, 46% temem o impacto da tecnologia nas suas carreiras, e persistem desigualdades no acesso à formação, com menos mulheres a terem oportunidade de se qualificar nesta área.
Segundo Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal, a Geração Z está a transformar o mundo laboral, mas exige das empresas percursos claros de progressão, programas de desenvolvimento inclusivos e estratégias digitais que respondam às suas expectativas, ajudando-os a prosperar e a permanecer mais tempo nas organizações.