Esta tendência é ainda mais expressiva entre as faixas etárias mais jovens, dos 18 aos 34 anos, onde o nível de digitalização atinge os 90%, evidenciando uma mudança geracional irreversível na forma como gerimos o nosso património de dados.
Em contraste com os mais jovens, os inquiridos com mais de 55 anos continuam a demonstrar alguma resistência, com quase 30% deste grupo a confiar exclusivamente no tradicional suporte em papel. No que diz respeito aos métodos de armazenamento digital escolhidos pela maioria, mais de metade dos utilizadores (56%) opta por guardar os seus ficheiros importantes no próprio computador ou num disco rígido externo. A cloud assume também um papel de enorme destaque, sendo a escolha de 45% dos inquiridos, enquanto 20% já recorrem a serviços digitais governamentais para salvaguardar os seus documentos.
Embora o armazenamento digital traga inegáveis vantagens de conveniência, a transição levanta novos desafios de cibersegurança e integridade. O relatório da Kaspersky aponta que, apesar de 98% dos utilizadores adotarem alguma medida de proteção, existe uma vulnerabilidade preocupante: 36% das pessoas ainda confiam em palavras-passe demasiado simples e fáceis de memorizar. Para contornar os riscos de ataques aos cofres digitais, os especialistas recomendam vivamente a transição para métodos de autenticação de dois fatores (2FA) e a adoção da tecnologia de passkeys, gerida através de soluções dedicadas.
Para garantir a verdadeira resiliência da informação perante falhas de hardware ou ataques informáticos, a marca sublinha a importância da clássica regra de backup 3-2-1. Esta estratégia dita que o utilizador deve manter três cópias dos seus dados mais críticos, distribuídas por dois tipos de suporte distintos, assegurando que pelo menos uma cópia se encontra armazenada fora do local físico principal, como na cloud. Dados de elevada sensibilidade, como credenciais bancárias e cópias de passaportes, devem receber uma camada de proteção extra, preferencialmente isolados em cofres encriptados.
A automatização assume-se como a peça-chave para manter uma rotina de segurança eficaz e sem esforço diário. Marina Titova, Vice-Presidente de Consumer Business da Kaspersky, explica que a principal razão para o abandono das cópias de segurança é a tentativa de salvaguardar tudo de uma só vez, o que torna o processo avassalador. A executiva aconselha os utilizadores a tratarem o backup como um fluxo de trabalho normal, classificando os ficheiros por níveis de prioridade e configurando as ferramentas nativas dos sistemas operativos para realizarem cópias automáticas e silenciosas dos dados críticos.