O projeto documental resultou de uma viagem realizada ao terreno em abril de 2026 pelo cofundador da empresa, Kilian Kaminski, acompanhado por um grupo de jornalistas. A expedição teve como objetivo compreender in loco a evolução do tratamento dos resíduos eletrónicos, observando as economias informais de reparação e os processos locais de reciclagem, de forma a alertar para a urgência de tratar o ciclo de vida da tecnologia de uma perspetiva verdadeiramente circular.
O filme lança um olhar muito crítico sobre as lacunas existentes na exportação de material eletrónico a partir do continente europeu, uma prática que ocorre frequentemente com escassa supervisão. A mensagem central do documentário defende que o problema ecológico não se resolve simplesmente por afastar o lixo da vista dos consumidores ocidentais, sublinhando a necessidade da indústria encarar os dispositivos descartados como recursos altamente valiosos e recuperáveis.
Contudo, desenvolvido em estreita colaboração com cientistas, especialistas e trabalhadores locais, o documentário procura também desafiar a narrativa puramente trágica habitualmente associada a esta região. Se por um lado documenta as graves consequências sociais e ambientais do consumo global desenfreado, por outro destaca a impressionante cultura de reparação, a inovação e a enorme resiliência da comunidade de Acra, que transformou a zona numa economia ativa e funcional.
Para além do papel de consciencialização, a refurbed materializou este projeto num compromisso prático, anunciando investimentos em parceria com a Minimise e a Electro Recycling Ghana (ERG). O objetivo é financiar a criação de instalações de reciclagem formais, estruturadas e seguras, integrando os sucateiros informais da região. Apresentado recentemente em território nacional durante o evento Reuse Portugal Summit, o documentário encontra-se agora totalmente disponível para visualização gratuita no YouTube.
