Um novo estudo divulgado pela Aon plc revela que as empresas portuguesas estão altamente otimistas quanto ao impacto da Inteligência Artificial (IA), embora enfrentem desafios significativos na preparação das suas equipas e estratégias de Recursos Humanos. O Human Capital Trends Study aponta que 98% das organizações nacionais acreditam que a IA criará novas oportunidades e exigirá o desenvolvimento de novas competências, um indicador que supera a média global (86%) em 12 pontos percentuais.

A adoção tecnológica já é uma realidade transversal no tecido empresarial nacional, com 72% das empresas a confirmarem que já implementaram ou estão atualmente a testar soluções baseadas em IA (alinhado com os 73% globais). Contudo, a velocidade da implementação tecnológica está a ultrapassar a capacitação humana. O relatório alerta que em 17% das empresas portuguesas, nenhum colaborador participou em iniciativas de requalificação (upskilling) focadas em Inteligência Artificial durante o último ano.

O recrutamento externo não parece ser a solução imediata para esta lacuna. Apenas 24% das organizações em Portugal afirmam ter capacidade para atrair e reter talento especializado em IA, sublinhando a necessidade urgente de investir na formação interna. Apesar destas dificuldades, há um consenso geral (84%) de que a inteligência artificial servirá principalmente para automatizar tarefas específicas, mantendo a necessidade das funções existentes, o que reforça a urgência na adaptação e gestão da mudança.

A análise da Aon expôs também deficiências estruturais nas práticas de Recursos Humanos em Portugal. Apenas 30% das empresas consideram ter um elevado nível de maturidade na gestão de dados de RH, ficando abaixo da média global de 38%. Esta falta de maturidade analítica dificulta a tomada de decisões estratégicas sobre remuneração, benefícios e planeamento do talento, elementos cruciais para gerir a força de trabalho na era digital.

Por fim, o estudo evidencia um ponto fraco na atração e retenção de talento: apenas 17% das empresas portuguesas possuem uma Proposta de Valor para os Colaboradores (EVP) claramente definida e compreendida pelas equipas. Segundo Nuno Abreu, Head of Human Capital da Aon Portugal, o verdadeiro desafio da IA não reside na tecnologia em si, mas na capacidade de as organizações prepararem as pessoas e alinharem a estratégia de Recursos Humanos, transformando esta mudança numa vantagem competitiva e de resiliência.

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