A investigação detalha que as vítimas em Portugal não enfrentam apenas incidentes isolados, experienciando em média 2,3 tipos diferentes de comportamentos abusivos. Entre as formas mais comuns de assédio tecnológico reportadas no país encontram-se o bloqueio e a exclusão deliberada com a intenção de causar dano psicológico (14%), o envolvimento em discussões agressivas em grupos online (14%) e a receção constante de mensagens rudes e ofensivas (10%). Estas ações, muitas vezes integradas nas comunicações diárias, acabam por passar despercebidas ou não ser devidamente denunciadas pelas vítimas.
Para além do assédio nas redes sociais, o estudo expõe ameaças de maior gravidade, revelando que 4% dos portugueses sofreram perseguição digital e 5% foram alvo de doxxing (exposição pública de dados privados). Os especialistas da Kaspersky Digital Footprint Intelligence alertam para um ecossistema criminoso em expansão na dark web, onde serviços de doxxing são comercializados por valores que variam entre os 50 e os 4.000 dólares. Paralelamente, assiste-se a um aumento da procura por ferramentas de vigilância avançadas concebidas para extrair informações pessoais e rastrear indivíduos de forma indetetável.
Um dos maiores perigos destacados no relatório é a proliferação do stalkerware, um tipo de software que permite a um agressor espiar secretamente o dispositivo móvel de outra pessoa, acedendo a mensagens, geolocalização, fotografias e chamadas. Os dados da Kaspersky indicam que, entre 2024 e 2025, mais de 34 mil utilizadores foram afetados por esta ameaça a nível global, elevando o total dos últimos cinco anos para 127 mil vítimas em mais de 160 países. Apenas neste último período, os investigadores identificaram 33 novas famílias de stalkerware, comprovando o desenvolvimento contínuo e ativo destas ferramentas maliciosas.
Face a este cenário, os especialistas de segurança recomendam aos utilizadores que se mantenham atentos a sinais de alerta nos seus smartphones, como o consumo invulgarmente rápido da bateria, a utilização inexplicável de dados móveis ou a presença de aplicações desconhecidas. Em caso de suspeita de infeção, a Kaspersky desaconselha a remoção imediata do stalkerware, pois isso poderá alertar o agressor e agravar a situação de risco. A principal recomendação passa por utilizar um equipamento seguro para contactar organizações de apoio a vítimas de violência doméstica, ou recorrer a soluções de segurança fiáveis para identificar as ameaças de forma silenciosa e procurar orientação especializada.
