Este cenário recorda incidentes passados, como os bilhetes falsos em Pequim 2008 ou o malware que paralisou as transmissões e redes Wi-Fi em PyeongChang 2018, demonstrando que a escala das ameaças evoluiu drasticamente com a sofisticação tecnológica.
Atualmente, os esquemas de phishing e a criação de websites falsos de comércio eletrónico continuam a ser as táticas mais comuns. Os atacantes fazem-se passar por organizadores oficiais para roubar dados bancários através de ofertas de bilhetes, viagens ou alojamento que nunca chegam a concretizar-se. Estas fraudes estendem-se agora a mercados genuínos como o Facebook Marketplace ou Airbnb, onde são colocados anúncios fraudulentos, e a plataformas de streaming ilegal que escondem malware em links e plugins sob a promessa de acesso gratuito às transmissões.
A utilização de inteligência artificial trouxe uma nova camada de complexidade às ameaças, permitindo a criação de mensagens de phishing em idiomas locais e a produção de deepfakes de atletas famosos para solicitar doações falsas. Outro vetor de ataque crescente é o phishing por código QR, onde códigos maliciosos são afixados fisicamente no local do evento para redirecionar os utilizadores para páginas de download de malware. Esta técnica tira partido da menor proteção nativa dos smartphones em comparação com os computadores tradicionais.
A infraestrutura de rede também é um ponto crítico, com a proliferação de hotspots Wi-Fi públicos falsos e aplicações móveis fraudulentas que imitam a app oficial dos Jogos Olímpicos. Os cibercriminosos chegam mesmo a criar esquemas de suporte técnico falso em redes sociais para intercetar reclamações de viajantes e roubar dados de reservas. Até o mercado de trabalho é explorado, com ofertas de voluntariado falsas que exigem o pagamento de taxas antecipadas para o processamento de candidaturas inexistentes.
Para garantir a segurança digital, a ESET recomenda vivamente que os fãs utilizem apenas os canais oficiais para aquisição de ingressos e merchandise, evitando qualquer oferta que pareça demasiado vantajosa. É fundamental desconfiar de links em mensagens não solicitadas, evitar redes Wi-Fi abertas e garantir que os dispositivos estão protegidos por soluções de segurança atualizadas. Ao manter uma postura de cautela digital e literacia sobre estes riscos, os entusiastas do desporto podem focar-se no espetáculo sem comprometer a sua integridade financeira e pessoal.