Apesar do aumento sustentado no investimento, a complexidade estrutural das redes modernas está a criar lacunas de segurança que as equipas tradicionais não conseguem colmatar, gerando um risco estrutural crescente para o negócio global.
Atualmente, a vasta maioria das empresas (88%) opera em arquiteturas híbridas ou multi-cloud, utilizando múltiplos fornecedores para sustentar operações críticas e projetos de inteligência artificial. Esta diversidade de plataformas, embora essencial para a agilidade e inovação, expandiu a superfície de ataque a uma velocidade que ultrapassa a capacidade de resposta humana. A fragmentação tecnológica tornou-se o novo inimigo, dificultando uma visão unificada do que acontece em cada infraestrutura.
O relatório identifica a proliferação de ferramentas isoladas e a falta de visibilidade como os maiores obstáculos à eficácia da cibersegurança. Cerca de 69% dos líderes inquiridos apontam estas falhas como críticas, sublinhando que ter mais software de segurança nem sempre significa estar mais protegido. Na verdade, a gestão de múltiplas soluções distintas acaba por gerar ruído e ineficiência, mantendo 59% das organizações em níveis de maturidade de segurança ainda muito iniciais.
A agravar este quadro está a crise de talento humano no setor tecnológico. Três em cada quatro organizações reportam uma escassez ativa de profissionais qualificados em cibersegurança, o que força as equipas existentes a trabalhar de forma reativa. Sem especialistas suficientes para gerir a complexidade da cloud, as empresas acabam dependentes de alertas manuais e processos lentos, ficando vulneráveis a ataques sofisticados que exigem respostas automáticas e imediatas.
Perante este desafio, o estudo nota uma mudança clara na preferência das empresas por abordagens mais integradas. Aproximadamente 64% das organizações afirmam agora preferir uma plataforma de segurança unificada em vez de várias ferramentas independentes. Esta convergência entre redes e segurança é vista como a única solução viável para simplificar a gestão e garantir que a proteção acompanha o ritmo da transformação digital e da adoção de novas tecnologias.
Em conclusão, o relatório da Fortinet para 2026 serve como um aviso de que o investimento financeiro isolado não resolve o problema da segurança na cloud. A eficácia futura dependerá da capacidade das empresas em consolidar as suas ferramentas, investir na formação de talento e adotar plataformas que ofereçam visibilidade total sobre os seus ativos. Sem esta simplificação estratégica, a confiança na infraestrutura digital continuará a diminuir à medida que as ameaças se tornam mais frequentes.
66% das empresas falham na resposta a ameaças
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Por
João Fernandes
- Jan. 23, 2026
O 2026 Cloud Security Report, publicado pela Fortinet em parceria com a Cybersecurity Insiders, revela um cenário preocupante na segurança digital: dois terços das organizações admitem não ter confiança na sua capacidade de detetar e responder a ameaças em ambientes cloud em tempo real.
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