A equipa Global Research and Analysis Team (GReAT) da Kaspersky revelou a descoberta de novos anúncios na darkweb que oferecem serviços de criação de deepfakes em vídeo e áudio em tempo real, com preços acessíveis a partir de 30 dólares. As investigações, conduzidas em plataformas em russo e inglês, mostram que este tipo de serviço — antes limitado a operações dispendiosas — está agora amplamente disponível por valores muito inferiores.

No passado, a criação de vídeos falsos custava entre 300 e 20.000 dólares por minuto, mas a nova vaga de ofertas permite gerar conteúdos manipulados instantaneamente e a baixo custo. Entre os serviços anunciados estão a troca de rosto em videochamadas, substituição de transmissões de câmara em dispositivos e falsificação de identidade para processos de verificação online, tornando as fraudes digitais mais acessíveis e difíceis de detetar.

Os operadores afirmam dispor de software capaz de sincronizar expressões faciais com texto em várias línguas e de ferramentas de clonagem de voz que ajustam tom e emoção, criando réplicas quase perfeitas. Contudo, os especialistas alertam que muitos destes anúncios podem ser falsos, com o objetivo de enganar potenciais compradores e lucrar com a venda de ferramentas inexistentes.

Segundo Dmitry Galov, responsável da equipa GReAT da Kaspersky, a tendência atual demonstra uma procura crescente por soluções de “deepfake-como-serviço”, mostrando que os cibercriminosos estão a incorporar inteligência artificial nas suas operações. Embora estas tecnologias não representem novas ameaças fundamentais, aumentam significativamente o alcance e a sofisticação dos ataques, exigindo respostas mais inteligentes e automatizadas por parte dos profissionais de segurança.

Para combater estas ameaças, a Kaspersky recomenda que as empresas invistam em medidas de cibersegurança robustas e adotem soluções de threat intelligence que permitam identificar atividades suspeitas. É igualmente essencial formar os colaboradores para reconhecer sinais típicos de deepfakes — como movimentos bruscos, iluminação inconsistente, tons de pele artificiais ou vídeos de baixa qualidade — e reforçar a literacia digital através de plataformas de sensibilização contínua.

Com o avanço das tecnologias de IA generativa, o uso de deepfakes tornou-se mais simples e barato, ampliando o risco de manipulação e fraude digital. A investigação da Kaspersky reforça a urgência de uma abordagem proativa à cibersegurança, combinando a inteligência artificial com estratégias humanas para mitigar uma das ameaças mais emergentes do panorama digital moderno.

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