O mais recente Boletim de Segurança da Kaspersky, referente ao segundo trimestre de 2025, revela que 19,4% dos utilizadores portugueses enfrentaram ameaças online, com mais de dois milhões de incidentes registados em dispositivos locais. Os dados são recolhidos através da Kaspersky Security Network (KSN), uma rede global que analisa em tempo real as ameaças detetadas por utilizadores voluntários da empresa.

O principal vetor de infeção continua a ser o browser, sobretudo através da técnica de drive-by download, onde basta visitar um site comprometido para o dispositivo ser infetado. Um dos tipos de malware mais perigosos identificados é o fileless malware, que opera de forma furtiva sem deixar ficheiros no disco, dificultando a deteção convencional.

Para combater estas ameaças invisíveis, a Kaspersky aposta numa combinação de machine learning, heurística comportamental e tecnologias de prevenção de exploração, que analisam o comportamento dos processos em tempo real e bloqueiam tentativas de ataques antes que provoquem danos. A empresa sublinha que soluções tradicionais já não são suficientes para garantir proteção eficaz.

Outro vetor relevante em Portugal são os ataques de engenharia social, em que os utilizadores são levados a instalar software malicioso, convencidos de que se trata de aplicações legítimas. Este tipo de ataque explora a falta de literacia digital e exige mecanismos de segurança proactivos e constantemente atualizados.

As ameaças locais, como infeções por USBs ou discos externos, também continuam a ser relevantes. Foram detetados mais de 3,2 milhões de incidentes desse tipo no mesmo período, afetando 15,4% dos utilizadores. A Kaspersky recomenda, além do antivírus, a utilização de firewalls, anti-rootkits e controlo de dispositivos físicos.

Apesar de Portugal não figurar entre os países mais atacados globalmente, o relatório revela que 0,10% das ameaças online detetadas a nível mundial tiveram origem em servidores localizados no país. Esta percentagem, aparentemente modesta, coloca Portugal na 38.ª posição como origem de ciberameaças, o que pode indicar a utilização de infraestruturas nacionais por agentes maliciosos internacionais.

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