O aumento dos riscos no ambiente digital levou à criação de uma nova e importante ferramenta de apoio em Portugal. Perante um crescimento alarmante de 39% nos casos de cibercrime reportados à Linha Internet Segura (LIS) no último ano, com especial destaque para o aumento de burlas e extorsão, o consórcio do Centro Internet Segura lançou um novo chatbot alimentado por Inteligência Artificial. Este assistente virtual foi concebido para oferecer uma resposta imediata, segura e totalmente confidencial a vítimas de violência digital, assumindo-se como um primeiro ponto de contacto vital.

O projeto resulta de uma estreita parceria entre a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), a Microsoft Portugal e a empresa tecnológica Visual Thinking. O chatbot, que se encontra disponível ininterruptamente e suporta múltiplos idiomas, não pretende substituir o caloroso apoio humano e especializado da APAV. O seu propósito central é ajudar a quebrar a barreira inicial do medo, fornecendo informações fiáveis e orientações práticas para que a vítima consiga desinibir-se e preparar-se emocionalmente para dar o passo seguinte rumo à ajuda técnica profissional.

A base tecnológica deste assistente virtual assenta na infraestrutura do Azure OpenAI, disponibilizada pela gigante norte-americana Microsoft. Pedro Soares, Diretor de Segurança Nacional da Microsoft Portugal, sublinha que a proteção de dados foi a prioridade máxima na construção desta ferramenta. Todo o sistema funciona num ambiente fechado onde a APAV detém controlo exclusivo sobre a encriptação e o acesso à informação, garantindo que nem a Microsoft nem quaisquer terceiros conseguem aceder às conversas confidenciais dos utilizadores.

Para assegurar a eficácia e sensibilidade necessárias no tratamento deste tipo de ocorrências, todas as respostas geradas pela Inteligência Artificial são estritamente baseadas em conteúdos validados e criados pela equipa técnica da APAV. Carolina Soares, Gestora da LIS, explica que a informação inserida resulta da vasta experiência diária da associação. O sistema foi rigorosamente afinado pela Visual Thinking para garantir que o assistente virtual nunca divaga dos temas definidos, mantendo-se sempre focado na prestação de auxílio seguro.

Os primeiros testes práticos, realizados numa escola em Vila Nova de Gaia, demonstraram o potencial transformador da ferramenta. Estela Bastos, CEO da Visual Thinking, relatou que os alunos inicialmente receosos mudaram completamente de atitude ao perceberem que o chatbot não recolhe qualquer informação pessoal nem regista o histórico das perguntas de forma identificável. Esta garantia de total anonimato provou ser a chave para que os jovens ganhassem confiança, interagindo demoradamente com a plataforma e encontrando nela um porto seguro num ecossistema digital cada vez mais complexo.

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