Em declarações à Lusa a propósito da situação ocorrida em Famalicão, o investigador da PJ salientou que desconhece aquele caso concreto, mas disse que, aparentemente «alguém» terá aberto um ficheiro malicioso. Estas ameaças têm ordens para obedecer a «determinados comandos», nomeadamente para bloquear o computador.
«Este tipo de chantagem é frequente nos utilizadores de sites pornográficos. É o primeiro caso, que eu conheço, envolvendo uma empresa. Habitualmente, os piratas mandam mensagens em inglês pedindo quantias de dinheiro baixas», disse.
No caso da pornografia, «o esquema é o seguinte: abre-se uma janela pop-up com os emblemas da PJ ou da PSP e uma mensagem a pedir para pagar uma multa, ficando o computador bloqueado. As pessoas pensam que estão a infringir, temendo que o site visitado tenha pornografia infantil, por exemplo, ficam amedrontadas e os mais incautos pagam, sem denunciar. Os pagamentos são habitualmente feitos em payshops. Depois de comprovado o pagamento, os computadores são desbloqueados».
«O modus operandi neste tipo de sequestro é sempre igual. Eles bloqueiam mas depois de obtido o dinheiro, mandam os códigos para desbloquear. Parece-me que foi o que aconteceu em Famalicão, a notícia fala em ficheiros encriptados, mas eu duvido que isso tenha acontecido. Estes casos têm muitas vezes origem na Nigéria, embora o dinheiro possa ser depositado em Inglaterra», referiu.
Ainda em declarações à Agência Lusa, «os piratas têm a noção de que têm de ser valores baixos porque, assim, muitas pessoas nem se queixam e sabem também que as autoridades portuguesas têm dificuldade em investigar, porque no caso de Inglaterra, a informação só nos é disponibilizada se o montante depositado for superior a cinco mil euros».
Assim sempre que os utilizadores de computadores sejam confrontados com este tipo de ameaça devem sempre contactar a Polícia Judiciária sobretudo com o intuito de “evitar danos superiores e impossíveis de recuperar”.
PJ recomenda cuidado na abertura de ficheiros
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Por
João Fernandes
- maio 06, 2014
Após ter sido divulgado o caso do ataque hacker ao sistema informático de um empresário de Famalicão, um investigador da PJ especializado no combate ao cibercrime veio a publico alertar para a necessidade de as empresas e particulares disporem de antivírus eficazes e evitarem abrir e-mails suspeitos como medida preventiva a este tipo de casos.
«São fundamentais bons antivírus, alertar os funcionários para terem muito cuidado ao abrirem e-mails com ficheiros executáveis e atenção às redes sociais, nomeadamente ao Facebook. Há dias circulou um ficheiro com vírus no FB que prometia dar a conhecer quem visitava a página. Era um ficheiro apelativo, o isco é sempre esse, incutir a curiosidade na pessoa», disse.