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No oitavo aniversário da entrada em vigor do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), o panorama do cumprimento regulamentar nas empresas tornou-se consideravelmente mais complexo e arriscado. Além do RGPD, as organizações enfrentam agora as exigências severas das diretivas NIS 2 e DORA, que visam promover uma maior ciberresiliência no espaço europeu. No entanto, o surgimento de modelos avançados de Inteligência Artificial veio potenciar novos vetores de ataque, aumentando exponencialmente o risco e a probabilidade de sucesso de invasões cibernéticas que comprometem dados sensíveis.

O relatório global "Anatomy of a Cyber World" da Kaspersky, referente aos dados de 2025, revela que o setor governamental e o industrial lideraram a lista de alvos de ciberataques de elevada gravidade. Pelo segundo ano consecutivo, os organismos públicos foram o alvo principal, representando 19% dos incidentes registados. Logo a seguir, com 17%, surge o setor industrial. Esta tendência confirma que os atacantes estão a focar-se em alvos estratégicos que detêm dados geopolíticos sensíveis e gerem infraestruturas críticas.

O mais recente relatório "Radar Global de Políticas Cibernéticas" da NCC Group traça um cenário muito claro: a cibersegurança deixou de ser uma disciplina puramente técnica para se assumir como um instrumento vital de influência geopolítica e segurança nacional. Impulsionada pelo escalar das tensões globais e pela adoção acelerada da Inteligência Artificial, a regulação digital mundial está a sofrer uma transformação profunda, onde os Estados procuram projetar o seu poder numa ordem internacional cada vez mais fragmentada.

Um novo estudo global da Kaspersky veio confirmar uma mudança preocupante no panorama da cibersegurança mundial: os ataques informáticos direcionados à cadeia de abastecimento ascenderam à posição de ameaça mais comum enfrentada pelas empresas ao longo do último ano. O relatório, intitulado Supply chain reaction, revela que cerca de um terço das organizações globais (31%) foi alvo deste tipo de intrusão nos últimos doze meses.

A União Europeia consolidou finalmente a sua visão de soberania e confiança com a entrada em vigor do novo Regime Jurídico da Cibersegurança em Portugal, este mês de abril de 2026. Se em 2018 o RGPD revolucionou o mercado ao garantir a privacidade dos cidadãos e a legitimidade no uso da informação, a nova diretiva NIS2 surge como o pilar que faltava neste escudo digital. Afinal, de nada servem leis rigorosas de proteção de dados se os sistemas que os alojam não estiverem blindados contra intrusões.

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