Na origem do "apagão" momentâneo esteve um pico de tráfego classificado como "invulgar" pela empresa, registado a partir das 11h20 (hora de Lisboa). Embora a causa exata deste aumento súbito de tráfego continue por apurar, fonte oficial da Cloudflare confirmou que, apesar de a maior parte dos dados continuar a fluir, registou-se um aumento significativo de erros em vários serviços. A tecnológica garantiu estar a trabalhar intensamente para assegurar a normalidade do tráfego antes de avançar para uma investigação profunda sobre as causas.
O impacto em Portugal foi sentido de forma transversal, atingindo desde a comunicação social ao retalho. Vários órgãos de comunicação, incluindo o jornal ECO, a agência Lusa e o Observador, enfrentaram dificuldades técnicas e intermitência nos seus sites. O Diário de Notícias viu a sua página inicial desconfigurada, exibindo erros no lugar de imagens. No setor do comércio eletrónico, grandes retalhistas como a Decathlon e o Ikea viram os seus websites ficarem temporariamente bloqueados, impedindo o acesso dos consumidores.
A falha não escolheu fronteiras nem setores, afetando também gigantes tecnológicos globais. A rede social X (antigo Twitter), embora acessível, apresentava um feed vazio sem qualquer publicação visível. O ChatGPT, da OpenAI, ficou totalmente inacessível, apresentando mensagens de erro que sugeriam aos utilizadores a desativação da Cloudflare para recuperar o funcionamento do chatbot. Até a esfera institucional foi afetada, com a página do Conselho Europeu a ficar indisponível sob a justificação de "manutenção de sistema", regressando à atividade poucos minutos depois.
A empresa sediada em São Francisco reconheceu prontamente a gravidade da situação através do seu site oficial, reportando códigos de erro "generalizados" e falhas críticas no seu painel de controlo e na API (interface de programação de aplicações). A Cloudflare mobilizou equipas para mitigar o problema e compreender o impacto total do incidente, prometendo transparência assim que novas informações estivessem disponíveis.
A normalidade começou a ser reposta cerca de cinco horas após o início do incidente, com a empresa a informar que os níveis de latência e erros estavam a estabilizar. No entanto, a reação dos mercados financeiros foi imediata e negativa. As ações da Cloudflare, que já registavam uma tendência de descida, acentuaram a queda na pré-abertura de Wall Street, derrapando mais de 3% e negociando em torno dos 194,55 dólares. A empresa comprometeu-se a disponibilizar uma investigação completa pós-incidente o mais brevemente possível.
Numa coincidência temporal irónica, o incidente ocorre pouco depois da Web Summit 2025 em Lisboa, onde o CEO da Cloudflare, Matthew Prince, foi um dos oradores principais. No palco do evento, Prince tinha resumido a missão da empresa com a frase: "Tornamos a internet mais rápida e protegemo-a dos mauzões", destacando que a tecnológica suporta 20% da internet e serve 80% das maiores empresas de inteligência artificial do mundo. Esta terça-feira, essa centralidade na rede mundial tornou-se, momentaneamente, o seu ponto fraco