A União Europeia consolidou finalmente a sua visão de soberania e confiança com a entrada em vigor do novo Regime Jurídico da Cibersegurança em Portugal, este mês de abril de 2026. Se em 2018 o RGPD revolucionou o mercado ao garantir a privacidade dos cidadãos e a legitimidade no uso da informação, a nova diretiva NIS2 surge como o pilar que faltava neste escudo digital. Afinal, de nada servem leis rigorosas de proteção de dados se os sistemas que os alojam não estiverem blindados contra intrusões.

No oitavo aniversário da entrada em vigor do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), o panorama do cumprimento regulamentar nas empresas tornou-se consideravelmente mais complexo e arriscado. Além do RGPD, as organizações enfrentam agora as exigências severas das diretivas NIS 2 e DORA, que visam promover uma maior ciberresiliência no espaço europeu. No entanto, o surgimento de modelos avançados de Inteligência Artificial veio potenciar novos vetores de ataque, aumentando exponencialmente o risco e a probabilidade de sucesso de invasões cibernéticas que comprometem dados sensíveis.

O relatório global "Anatomy of a Cyber World" da Kaspersky, referente aos dados de 2025, revela que o setor governamental e o industrial lideraram a lista de alvos de ciberataques de elevada gravidade. Pelo segundo ano consecutivo, os organismos públicos foram o alvo principal, representando 19% dos incidentes registados. Logo a seguir, com 17%, surge o setor industrial. Esta tendência confirma que os atacantes estão a focar-se em alvos estratégicos que detêm dados geopolíticos sensíveis e gerem infraestruturas críticas.

O mais recente relatório "Radar Global de Políticas Cibernéticas" da NCC Group traça um cenário muito claro: a cibersegurança deixou de ser uma disciplina puramente técnica para se assumir como um instrumento vital de influência geopolítica e segurança nacional. Impulsionada pelo escalar das tensões globais e pela adoção acelerada da Inteligência Artificial, a regulação digital mundial está a sofrer uma transformação profunda, onde os Estados procuram projetar o seu poder numa ordem internacional cada vez mais fragmentada.

Um novo estudo global da Kaspersky veio confirmar uma mudança preocupante no panorama da cibersegurança mundial: os ataques informáticos direcionados à cadeia de abastecimento ascenderam à posição de ameaça mais comum enfrentada pelas empresas ao longo do último ano. O relatório, intitulado Supply chain reaction, revela que cerca de um terço das organizações globais (31%) foi alvo deste tipo de intrusão nos últimos doze meses.

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