O estudo sublinha que o ambiente digital se transformou num palco de confrontação indireta, onde tensões geopolíticas e alianças internacionais ditam o ritmo das intrusões. Esta "profissionalização" do cibercrime permite que atores estatais e grupos organizados exerçam pressão sobre governos e indústrias críticas sem escalar para conflitos militares abertos. Este fenómeno é potenciado pela Inteligência Artificial, que atua como um multiplicador de capacidades ofensivas, acelerando os ciclos de ataque e tornando as campanhas de desinformação e espionagem muito mais eficazes e difíceis de atribuir.
A análise setorial da NTT DATA identifica a Administração Pública como o alvo principal, com 3.343 ataques registados no semestre. Seguem-se as instituições de ensino (1.140), os serviços financeiros (957) e o setor tecnológico (802). No total, estima-se que o impacto económico global do cibercrime atinja atualmente os 10,5 biliões de dólares por ano, um valor astronómico que reflete a maturidade dos modelos de extorsão e ransomware.
Uma das tendências mais preocupantes é o abuso de serviços legítimos, como plataformas cloud e soluções SaaS, para garantir a permanência dos atacantes dentro das redes das vítimas. Ao utilizar ferramentas que a empresa já usa no dia a dia, os hackers conseguem movimentar-se lateralmente e extrair dados sensíveis deixando o mínimo rasto possível. Luís Lobo, responsável de cibersegurança da NTT DATA Portugal, alerta que os ataques mais perigosos são agora os invisíveis, integrados profundamente nos processos de negócio onde reside o valor das organizações.
A NTT DATA conclui que existe um desfasamento perigoso entre a simples conformidade regulamentar e a verdadeira resiliência operacional. Para enfrentar este novo paradigma, as empresas e instituições devem evoluir para uma gestão de risco baseada na antecipação estratégica e na deteção contextual, tratando a cibersegurança não apenas como uma barreira técnica, mas como uma função central de negócio.