A operação cibernética foi conduzida por um coletivo conhecido como "Hackyourmom", fundado por Nikita Knysh, um especialista que reuniu dezenas de informáticos para apoiar a defesa da Ucrânia. Através da criação de perfis femininos falsos e muito convincentes, a equipa iniciou conversas com os militares, explorando o seu isolamento no campo de batalha para ganhar rapidamente a sua atenção e confiança.
O principal objetivo desta manobra de ciberespionagem era a obtenção de imagens que pudessem comprometer e revelar o posicionamento estratégico das tropas de Moscovo. Atraídos pelas falsas identidades, os soldados russos acabaram por ceder e começaram a partilhar fotografias do seu dia a dia e das suas instalações, sem desconfiarem de que estavam a comunicar com a resistência ucraniana.
A partir do momento em que receberam os ficheiros, os hackers analisaram minuciosamente os fundos das fotografias, os marcos geográficos visíveis e os metadados ocultos nas imagens. Este cruzamento de dados permitiu identificar que as fotos tinham sido tiradas a partir de uma base militar russa localizada nas proximidades de Melitopol, uma cidade ocupada no sul da Ucrânia.
Após a geolocalização exata da base, as coordenadas foram de imediato reencaminhadas para as Forças Armadas da Ucrânia. Munido destas informações precisas recolhidas através da aplicação de mensagens, o exército ucraniano conseguiu lançar um ataque de artilharia direcionado e bem-sucedido contra a referida infraestrutura militar russa. Este caso ilustra de forma clara como a desinformação e a engenharia social se tornaram armas letais na guerra moderna.